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29 setembro 10

SOFTWARE DE GESTÃO RESISTE EM ALTURA DE CRISE

in Semana Informática 24 de Setembro de 2010

A retoma ainda não é um dado adquirido no mercado de soluções de gestão, mas os fornecedores continuam a fazer negócio, resistindo e mostrando que é possível aprender com a adversidade

O mercado de aplicações empresariais experimentou o seu primeiro ano de queda significativa em 2009 e, apesar de existirem indicações que mostram 2010 como sendo um ano de recuperação, existe algum receio de que a crise se possa voltar a aprofundar no segundo semestre, à medida que haja uma melhor compreensão da evolução da Dívida Pública que se vive na Europa. O alerta é dado pela IDC.

No caso das soluções de ERP, a consultora dá conta de uma queda intensa por toda a Europa, Portugal incluído, durante os quatro trimestres de 2009. «No primeiro trimestre de 2010, o mercado europeu de ERP parece recuperar um pouco, com vários fornecedores-chave, incluindo SAP, Oracle e Microsoft a reportarem taxas positivas de crescimento no continente europeu».

Em concreto, a IDC estima que o mercado de aplicações ERP na Europa Ocidental tenha decrescido quase quatro por cento em 2009, e que terá um crescimento de 1,1 por cento em 2010, seguido de uma taxa de crescimento de 4,2 por cento em 2011.

O mercado de aplicações CRM mostrou, segundo a consultora, «uma capacidade de resistência notável» durante a recessão económica que varreu a Europa em 2009, com um crescimento de 3,7 por cento na Europa Ocidental. A IDC acredita que o mercado de aplicações CRM irá experimentar «uma recuperação gradual, mas sólida», à medida que a recessão na Europa se for dissipando. As previsões apontam ainda para que o mercado de aplicações CRM na Europa Ocidental cresça 4,5 por cento em 2010 e 5,6 por cento em 2011.

A ESPERA DA RETOMA
Entre os fornecedores de software, a opinião face ao momento vivido pelo mercado diverge, existindo perspectivas mais optimistas e outras mais “cuidadosas”.
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Muitos consideram que 2009 foi um ano atípico. «Foi um ano com um abrandamento no investimento em software de gestão. No entanto, não tivemos um decréscimo no volume de negócios», refere Jaime Gomes, com a nota de que um terço da facturação total foi feita no último trimestre. Já em 2010, a tendência mantém-se, sendo que as vendas mensais têm sido mais equivalentes e sem grandes discrepâncias. «Prevemos que neste último quadrimestre de 2010 haja também uma procura acrescida de software de gestão, em parte devido às imposições legais relacionadas com a certificação de software». Nesta fase concreta, as perspectivas são boas. «Há muitas empresas com necessidades de mudança do software de gestão, que vão aproveitar para fazê-lo até ao final do ano».

O optimismo do director financeiro e sócio gerente da Alidata não chega contudo para considerar 2010 como ano de retoma. «Não há muitas diferenças [face a 2009] e penso que ainda não estamos no ano de retoma. A diferença mais relevante que noto face ao ano passado é o aumento do endividamento das empresas e a consequente dificuldade nos pagamentos».

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LIÇÕES QUE A CRISE TROUXE
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Esta filtragem natural entre as empresas, «em que apenas as que têm realmente capacidades se têm aguentado e conseguido resistir», é também apontada por Jaime Gomes, da Alidata, como um dos aspectos positivos resultantes da crise. O responsável não deixa, contudo, de considerar as consequências deste resultado: o aumento do desemprego, a diminuição do poder de compra das empresas e a diminuição das oportunidades de negócio, «pois o número de empresas é cada vez menor».

MUDAM-SE OS CENÁRIOS, ADAPTAM-SE AS SOLUÇÕES
Devido ao maior foco nos resultados, a crise trouxe também um enfoque ligeiramente diferente no tipo de soluções de gestão procuradas.
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PME DIFÍCEIS DE CONQUISTAR
O mercado de software empresarial transformou-se nos últimos anos, tentando adaptar-se a uma conjuntura dominada pela maior ponderação por parte dos clientes, e se é verdade que o custo das soluções tem vindo a baixar, existindo cada vez mais variedade e segmentação, a maioria dos negócios de menor dimensão continua a resistir à oferta. As razões são várias.
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A importância da postura do empresário é também apontada por Jaime Gomes. O responsável da Alidata considera que sempre foi e continua a ser mais difícil implementar soluções de gestão em empresas de pequena dimensão, «principalmente devido à sua estrutura financeira». Mas esta postura tem que ver com a própria mentalidade de cada empresário. «Muitas empresas de pequena dimensão estão abertas à implementação de sistemas de software de gestão, com maior ou menor complexidade. O software de gestão é uma ferramenta de gestão que deve ser utilizada na procura da maximização da produtividade e da competitividade, e há muitos empresários que ainda não interiorizaram isto». [...]