Alidata Suporte
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05 julho 10

ALIDATA PREPARA CRESCIMENTO SUSTENTADO

in Semana Informática 25 de Junho de 2010

A companhia está a estabilizar a operação de Lisboa e a preparar a abertura de empresas em Angola e Cabo Verde. No próximo ano, vai passar a ser uma sociedade anónima.

A Alidata é uma software house portuguesa com 26 anos de experiência, sedeada em Leiria, cujas aplicações têm vindo a conquistar de forma gradual o seu espaço em todo o território nacional e, mais recentemente, junto de alguns países africanos de língua oficial portuguesa.

A empresa está bem posicionada em alguns segmentos de mercado, como o sector automóvel, cujas soluções representam cerca de 40 por cento do volume de negócios em 2009. As soluções para o sector da indústria têm um peso na ordem dos 30% e os restantes 30% dizem respeito a soluções de comércio.

O director financeiro e sócio-gerente da empresa, Jaime Gomes, diz que o ano passado, mediante a difícil conjuntura económica que se instalou no país, pensou inicialmente que seria um ano complicado, mas, feitas as contas finais do exercício de 2009, a Alidata conseguiu crescer seis pontos percentuais face aos resultados obtidos em idêntico período, superando assim a facturação alcançada em 2008. Jaime Gomes, mostra-se satisfeito com este feito, e reconhece que «foi necessário trabalhar muito mais para conseguir atingir quase o mesmo volume de negócios do que em 2008».

O nosso interlocutor explica que houve um problema que se reflectiu na Alidata, assim como na maioria das empresas do sector do software de gestão, relacionado com o facto de a maior parte do volume de negócios se ter concentrado nos últimos meses do ano. Esta é uma situação que Jaime Gomes diz ser habitual no final do ano, porque «é sempre uma altura em que as empresas do sector têm um acréscimo de volume de negócios e que este se reflecte no aumento de trabalho, mas, este ano, as coisas tornaram-se muito mais complicadas, porque esse volume de negócio cresceu abruptamente no final do ano por imposições legais relacionadas com o SNC».

Esta situação obrigou muitas vezes a um aumento dos custos das empresas que implementam as aplicações de uma forma desnecessária. «Já se sabia que o SNC era uma situação imperativa e que toda a gente tinha que actualizar-se, mas dificulta a planificação atempada da empresa e dos recursos a médio prazo», sublinha o director da Alidata. Mesmo perante esta situação, o responsável da tecnológica decidiu investir e acabou por ampliar as instalações adquirindo um espaço junto à sede. Com este investimento, a Alidata quase que duplicou a sua área em Leiria. A este investimento há ainda que acrescentar o recrutamento de mais pessoas e a abertura de uma delegação em Lisboa.

«Estes investimentos só aconteceram porque acreditamos na qualidade e na capacidade de crescimento da empresa. Entendemos que vamos superar a conjuntura económica e que, no futuro, a Alidata terá uma palavra a dizer no mercado das software houses», afirma Jaime Gomes.

Abertura do escritório em Lisboa
A entrada em Lisboa prende-se com um objectivo: estar mais próximo dos clientes. Questionado sobre os objectivos impostos à delegação de Lisboa, Jaime Gomes refere que ainda não existe uma quantificação do volume de negócios e reconhece que «há muitas áreas de negócio que acabam por estar concentradas em Leiria e que não deviam estar». Só quando essas situações forem alteradas «é que a filial de Lisboa será completamente autónoma e se pode fazer uma avaliação do valor real que o escritório de Lisboa pode ter para a empresa».

Sobre a falta de autonomia da delegação de Lisboa, Jaime Gomes explica que «falta ter as pessoas certas nos lugares certos». O gestor diz que no arranque do projecto admitiu determinadas pessoas que pensava terem alguma experiência e maturidade no sector e acabou por verificar que não foram as melhores escolhas. A empresa mudou por isso de estratégia, optando por preparar as pessoas na sede da Alidata, trazendo-as de Lisboa para Leiria. O perfil dos recursos também mudou, preferindo pessoas com experiência profissional mas com pouca experiência nesta área de negócio. Esses quadros estagiaram e foram complementados com pessoas de Leiria que também se deslocaram para Lisboa.

«Com a mudança de estratégia começam a ver-se os primeiros resultados positivos da aposta realizada. Com estas pessoas que possuem o ADN e falam a linguagem da Alidata, penso que estão criadas as condições para que, até ao final do ano, a delegação de Lisboa passe a ser autónoma», esclarece Jaime Gomes.

A delegação de Lisboa não tem objectivos definidos, porque, segundo o director-geral, a empresa sempre trabalhou fazendo o melhor que sabe e colocando a empresa a funcionar da melhor maneira possível. No seu entender, muitas vezes, quando se projectam esses objectivos, «não se consegue obter a qualidade desejada».

Perante este cenário, um dos grandes desafios com que a empresa se debate é com a capacidade de aliar o crescimento mantendo a qualidade de serviço e de produtos. O director-geral da Alidata diz que esta não é uma tarefa fácil e que tem consciência que muitas empresas registaram um crescimento rápido e cujo resultado acabou por ser o desmoronamento.

É por esse motivo que Jaime Gomes entende que, muitas vezes, para cumprir objectivos e números «fazem-se negócios de qualquer maneira, a qualquer preço, o que acaba por custar muito dinheiro. Na realidade atinge-se o objectivo de vendas, mas dispararam-se os custos com recursos, reduzindo muitas vezes as margens previstas». Perante este cenário, o director-geral não descarta que no prazo de três ou quatro anos a delegação de Lisboa represente um total de negócio superior ao da casa-mãe, no entanto, Jaime Gomes explica que esse deve ser um processo natural e evolutivo do negócio e não uma imposição de negócio.

Crescer sustentadamente e mudar para uma S.A.
Ao longo do tempo, a Alidata cresceu de forma lenta mas sustentada. A empresa é PME Excelência, não pelo volume de negócios que gera, mas sim pela forma como a empresa é gerida. Jaime Gomes diz que a empresa, se quiser, está capacitada em termos de capital para investir e crescer. No entanto, a grande questão que se coloca é saber se a administração da Alidata está preparada para lidar e gerir vários desafios em diferentes frentes.

O director financeiro e sócio-gerente considera que a empresa se encontra numa fase em que é necessário dar um salto qualitativo e quantitativo. Para concretizar esta visão, foi decidido abrir o seu capital a alguns colaboradores mais próximos. Por isso, a empresa vai deixar de ser uma sociedade unipessoal para transformar-se numa Sociedade Anónima. Este é um tema difícil de assimilar para o director, atendendo ao facto de ter uma relação umbilical com a Alidata, no entanto, reconhece que a abertura do capital e da gestão a outras pessoas é a melhor solução para a empresa continuar a crescer, sendo uma ideia à qual está a habituar-se pouco a pouco.

O responsável entende que é importante dividir a responsabilidade da gestão com outras pessoas. A abertura do capital será feita, numa primeira fase, junto das pessoas que trabalham na empresa, e todas as pessoas que tenham capacidade de entrar no capital da Alidata terão essa oportunidade. Numa segunda fase, não está descartada a possibilidade de abertura do capital a pessoas ou empresas fora do universo Alidata, sempre que estas tragam uma mais-valia para a empresa.

Jaime Gomes diz que este é um processo que dificilmente acontecerá este ano; no melhor dos cenários seria no final de 2010, mas, como não existe uma obrigatoriedade legal para transformar a empresa em SA, o mais certo é que só aconteça em 2011.

Acompanhar os clientes no estrangeiro
A tecnológica portuguesa começou a realizar projectos em Angola em 2007, quando alguns clientes da Alidata foram trabalhar nesse país e quiseram continuar a usar as aplicações que tinham nas suas sedes. Muitas empresas da região Centro abriram negócios em Angola e, de repente, a Alidata foi confrontada com a necessidade de acompanhar os seus clientes nesses mercados. Ao visitar Angola pela primeira vez, Jaime Gomes lembra-se que, além de encontrar muitas pessoas conhecidas, se deparou com um país que «necessita de pessoas e empresas que trabalhem bem, porque já há muitas empresas a trabalhar mal e à procura só de dinheiro fácil».

Atendendo às necessidades dos clientes e ao facto de ser um mercado onde ainda se pode crescer, o director-geral confirma que há pessoas interessadas em investir na abertura de uma Alidata Angola, mas a operação que está mais próxima de ser concretizada é a abertura de uma empresa em Cabo verde, mais precisamente, nas ilhas da Praia e são Vicente. É a partir de Cabo Verde que a Alidata pretende encontrar bons recursos humanos, formá-los e mais tarde levá-los para Angola, dada a falta de recursos especializados que há em Angola.

As empresas em Cabo Verde e Angola devem estar operacionais até ao final do próximo mês de Julho. A Alidata está a investir quase 500 mil euros nas duas operações e espera que no primeiro ano se possa fazer uma prospecção de mercado. Cabo Verde é um mercado mais pequeno e de crescimento mais limitado, por isso, Jaime Gomes estima uma facturação de cerca de meio milhão de euros. No entanto, está ciente que «necessita de trabalhar e reestruturar-se muito bem para conseguir esses números».

Já em relação a Angola, tudo depende da aceitação que a empresa tenha no mercado e se consegue obter os recursos suficientes para implementar as vendas. «De nada me serve comercializar três ou quatro milhões de euros em produtos se depois não tenho a capacidade de delivery», adianta o nosso interlocutor, explicando que a lógica é disponibilizar recursos que possam ir para Angola mediante os contratos que forem aparecendo, porque o principal objectivo destas duas empresas é «exportar os produtos da Alidata».

Evoluir para o mercado da distribuição
A empresa espera poder melhorar os seus resultados graças às exportações, mas Jaime Gomes pretende optimizar o mercado da distribuição, que foi implementado há cerca de três anos e que representa cerca de 10 por cento do volume de negócios da Alidata.

Enquanto que com o modelo de venda directa a empresa está limitada à sua capacidade de recursos humanos para realizar implementações de projectos – porque não consegue recrutar pessoas e dar-lhes formação só por períodos de pico –, no mercado da distribuição o processo acaba por ser diferente. A empresa quer por isso evoluir e dedicar «toda a força comercial a apoiar os parceiros de negócio para que eles possam crescer, começar a pensar noutros números e colocar objectivos de vendas».

A ideia é inverter os papéis e passar de ser uma empresa de venda directa para uma companhia que possui um canal próprio, com parceiros de negócios que realizam as implementações e que comercializam licenças de software. Nesse sentido, está a ser elaborado um modelo de negócio, que já está em prática como projecto-piloto com um parceiro, e que assenta no facto de o software da Alidata poder ser comercializado com o nome do parceiro. A Alidata licencia o produto e o parceiro pode integrar e incorporar todo um conjunto de addons e fazer o desenvolvimento em cima da aplicação.

Este modelo destina-se «a empresas que até à data tinham o seu próprio software e começaram a sentir dificuldade de acompanhar a evolução tecnológica, encontrando-se numa situação de terem de descontinuar o produto, agarrar-se a um parceiro e perder todo o seu know-how e a sua marca. O que nós estamos a propor é manterem a sua marca associada a um outro produto e assim manterem os seus clientes», afirma Jaime Gomes, acrescentando que a sua companhia possui um projecto-piloto com uma empresa que está a servir para definir algumas regras de negócio.