Software de gestão em rota ascendente
O mercado português ligado a este tipo de aplicações tem conhecido um crescimento sustentado
A tão propagada crise está bem longe de atingir o mercado ligado ao software de gestão. É, pelo menos, esta a ideia deixada pelos principais players nacionais que, contactados pelo Semana, desenham uma tendência de crescimento. Nas palavras do director-geral da Sistrade, António de Sousa Ribeiro, «o mercado está dinâmico e necessitado de soluções de gestão dos seus negócios de acordo com os paradigmas de B2B e B2C». No entanto, este responsável chama a atenção para o facto de «o crescimento económico e também a estabilidade» serem «elementos fundamentais para que as empresas invistam em tecnologia».
Do lado da Softi9, Eduardo Prata fala também em crescimento, até porque «há ainda um número significativo de empresas com necessidade de renovar os seus sistemas de informação». O business manager da companhia sublinha que «mesmo empresas com softwares recentemente adquiridos, necessitam de produtos capazes de complementar algumas lacunas em áreas em que o software de gestão que elegeram não dá resposta».
O director comercial da ExpoSIS, Paulo Pereira, prefere falar numa «maior exigência» por parte do mercado português e no facto de este procurar «obter contrapartidas dos investimentos que realiza». Uma «exigência que é benéfica para empresas como a ExpoSIS, que está em condições de mostrar resultados nos projectos em que se envolve».
*É também de maior exigência tecnológica que fala a Alidata. Segundo refere Alexandra Elias, directora de vendas e marketing daquela empresa, «a crescente complexidade dos ambientes aplicacionais, a par da preocupação de redução de custos e de obtenção de retorno do investimento a curto prazo, têm-se traduzido numa maior exigência de novos atributos tecnológicos». Mudou também «a forma como a comunidade utilizadora adquire, implementa e gere os seus activos de software».*
*Assim sendo, têm vindo a surgir «inúmeras aplicações alojadas» que se dirigem «a individuais ou pequenas empresas e têm como vantagem o facto de a manutenção e o backup estarem à responsabilidade de quem fornece os serviços». Alexandra Elias acredita que «pode existir aqui uma oportunidade de negócio para as softwares houses nacionais, que se dedicam ao desenvolvimento de software de gestão, começarem a oferecer este tipo de serviços a alguns dos seus clientes».*
Integração precisa-se
Embora o crescimento seja inegável, Carlos Pinho, brand manager/partner da Esinow.net, defende que, «tendencialmente, a maior parte das PME tem hoje um “manto de retalhos de aplicações”». Uma situação que, «em muitos casos, nem sequer possibilita a integração dos vários dados, traduzindo-se desta forma na impossibilidade de crescimento da solução e na ineficiência total de análise dos dados». Uma situação que acaba por gerar, na maior parte das vezes, «uma insatisfação do cliente».
Este foi um facto também apontado pela SAP, através do responsável do escritório da SAP Ibéria em Lisboa, João Pissarra de Matos que referiu que, «até ao ano de 2003, a aposta era encontrar as soluções mais “apetecíveis” do mercado, sem se pensar na empresa e nas diferentes áreas de negócio como um todo». Esta situação levou a que as empresas sofressem «por falta de integração, por falhas de comunicação entre as diferentes áreas e por falta de eficiência», fazendo-as ainda «perder muito tempo e orçamento em TI». De qualquer forma, a SAP acredita que esta situação «se está a inverter» sendo esta «uma tendência hoje em dia».
Uma outra tendência claramente identificada pelo mercado passa pela verticalização dos produtos. Neste campo, o administrador da T.I. – Tecnologia Informática, Feliz Grangeiro, refere que «a verticalização, quer por sector de actividade, quer por necessidades específicas das empresas, está em ebulição». De resto, a verticalização é também «um dos caminhos para atingir novos clientes», diz Manuel Alexandre, managing director da APR, que afirma que «não parece existir via para o desenvolvimento que não seja a especialização por áreas de negócio ou mercados».
Neste caso particular, a APR tem seguido o sentido inverso sendo que a sua aplicação começou por ser desenvolvida «para o mercado vertical» e posteriormente «enveredou-se pela horizontalidade».
Do lado da PHC, o director da área tecnológica, Miguel Capelão, refere que «o mercado português de soluções verticais está cada vez mais interessante e em crescimento». Na verdade, os gestores «estão mais informados sobre as potencialidades das aplicações de gestão que são destinadas especificamente às suas necessidades e existe mais concorrência ao nível de fornecedores de aplicações, pelo que os fabricantes têm de estar em constante evolução do produto». Já no caso do cliente, opta-se «cada vez mais por adoptar software vertical, pois é o que melhor responde às suas necessidades, mantendo a companhia um passo à frente da concorrência».
O responsável da PHC explica que, em termos de ofertas, «o mercado está dividido entre as opções multinacionais e das empresas de software nacional com todas as vantagens e desvantagens que isso implica». Por outro lado, o software vertical «também começa a surgir em substituição do software desenvolvido internamente pelas empresas».
Segmentação é uma tendência
Do lado da Microsoft, Francisco Ramos Chaves, director da unidade de negócio de Aplicações de Gestão, considera que «a segmentação é uma tendência inevitável deste sector», até porque «as soluções de ERP devem caracterizar-se por se adequarem às características específicas de cada negócio». Só desta forma, diz o responsável da Microsoft, «podem ser uma ferramenta de gestão valiosa».
A INSA, por seu turno, «aposta que a verticalização dos produtos é o futuro das soluções informáticas», razão pela qual a empresa tenta «aplicar a sua experiência em clientes para conseguir soluções informáticas para cada um dos modelos de negócio». No caso da Oracle, a estratégia da própria companhia «já passa por disponibilizar as melhores soluções existentes no mercado quer por via de aquisição quer através do desenvolvimento de novas funcionalidades nas novas versões das várias linhas de produto», refere o seu applications account manager. Segundo Rodrigo Ferreira, a verticalização é mesmo o caminho a seguir, até porque «cada vez mais o mercado necessita de ofertas mais especializadas e adaptadas ao seu negócio sem ter que recorrer a soluções desenvolvidas à sua medida».
Mas as novidades no mercado de software de gestão não passam apenas pela verticalização, tendo-se verificado também algumas mexidas ao nível da gestão via Web. Neste caso específico, a RIS2048 refere que «os portais empresariais disponibilizados pela generalidade dos fabricantes de software, embora não sendo uma novidade tecnológica, só agora começam a fazer parte do dia-a-dia da generalidade das empresas que percebeu o enorme valor acrescentado por estas soluções». Luís Catalão, director-geral da companhia diz ainda que «a autonomia dos PDAs e smartphones aliada à qualidade das comunicações móveis permitem hoje um acesso quase total às funcionalidades das aplicações que existem no interior da empresa, como se fisicamente lá estivéssemos».
Já Idalina Sousa, directora de Marketing da Primavera Software, acrescenta que «a digitalização das empresas tem sido uma das principais preocupações» da sua companhia, razão pela qual se realizou «um forte investimento no Primavera Enterprise Portals».
in Semana Informática

