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08 março 06

Mercado aposta na segmentação

A verticalização das ferramentas de ERP é uma via escolhida por quase todos os fornecedores de TI que actuam nesta área

Aquilo a que podemos chamar “verticalização do mercado de ERP” é um processo de um certo refinamento e de adequação deste tipo de soluções a mercados específicos. Face a esta realidade, é certo que quase todas as empresas fornecedoras de ERP a actuar em Portugal apostam neste tipo de implementações, que podem trazer mais receitas..

No entender de Alexandra Elias, directora de vendas e marketing da Alidata, esta é, de resto, uma tendência notória. Há alguns anos as aplicações disponíveis no mercado eram genéricas, mas foram crescendo as necessidades de informatizar sectores muitos específicos e as empresas que apostaram nesses nichos de mercado têm agora a possibilidade de rentabilizar esse investimento.

Entre as áreas que a companhia endereça, destaque para o sector automóvel, a indústria de plásticos, dos móveis, da cerâmica, do vidro, do cimento, da alimentação e a área de gestão florestal. Assim sendo, a Alidata dispõe de soluções verticais para laboratórios, produção industrial, oficinas/concessionários, manutenção de equipamentos, automação da produção e cargas e expedição.

A companhia aposta essencialmente nas PME, embora o SIA se possa adaptar a empresas de quase todo o tipo, sector e dimensão.

Do lado da APR, a verticalização é igualmente encarada como uma boa aposta até porque «a capacidade de colocação de um novo ERP numa grande conta é limitada dada a elevada penetração dessas soluções nesse mercado», referiu Manuel Alexandre, managing director da companhia em Portugal. Face a esta realidade, os maiores produtores de software, essencialmente as multinacionais, «tiveram que redefinir a sua estratégia para atingir um novo mercado povoado por pequenas e médias empresas, tendo adaptado os seus produtos para esse alvo».

A APR conta com quatro soluções verticais destinadas aos mercados da gestão de obras, da assistência técnica, dos pontos de venda e da gestão de produção para as áreas têxtil, dos plásticos, mobiliário e gráficas.

Já segundo Jorge Saraiva, director-geral da Exact Portugal, hoje em dia, a segmentação ao nível de oferta de ERP por dimensão dos clientes pode resumir-se a três níveis: para grandes empresas, para médias empresas e pequenas empresas. Este responsável chama, no entanto, a atenção para um outro tipo de segmentação crescente que é a funcional, ou seja, «a especialização dos ERP por tipos de indústria ou mesmo sectores de actividade».

À medida que a dimensão das empresas vai diminuindo, as necessidades funcionais mantêm-se «mas estas devem ter tempos de implementação mais curtos e custos mais à sua dimensão», pelo que a verticalização pode ser aqui encarada como uma vantagem. Jorge Saraiva acredita que «este factor é importante, pois o mercado já não é adepto de esforços financeiros sobredimensionados para automatizarem os seus processos».

A Exact apresenta soluções verticais no âmbito das organizações internacionais, indústria metalomecânica, indústria da moda, indústria de componentes automóvel e electrónica, indústria da madeira, gestão de projectos, retalho e costumer-care (que integra atendimento ao público).

Entre as vantagens apontadas para a segmentação ao nível dos clientes, Manuel Alexandre fala na possibilidade das PME passarem a ter «um leque mais alargado de soluções ao seu dispor, bem como produtos de maior qualidade ao alcance por preços competitivos». Do lado do fornecedor, e face, nomeadamente, aos mercado das PME, a verticalização «é um factor concorrencial forte, mas salutar pois cria um grau de exigência mais elevado ao software que se produz e oferece ao mercado».

in Semana Informática