ERP mantém tendência de crescimento
As soluções e implementações ligadas a esta tecnologia deverão entrar numa nova era de maturidade
Que as soluções de ERP estão aí para ficar, já ninguém dúvida. As questões poderiam agora colocar-se ao nível da eventual estagnação de projectos numa altura em que a economia não está para grandes avanços. Mas a verdade é que os principais players do mercado luso são unânimes em considerar que, nesta área, o crescimento é uma tendência que se mantém.
Nas palavras do director comercial da ExpoSIS, Paulo Pereira, «as empresas despertaram recentemente para o facto de o ERP não ser um custo mas sim um investimento que traz proveitos».
Assim sendo, muitos clientes estão neste momento a substituir velhas e pesadas aplicações «por uma verdadeira solução que dê resposta às suas necessidades».
Já no entender do director-geral da Softi9, Jorge Serrano Pinto, «as companhias nacionais ainda terão bastantes processos para controlar e optimizar», razão pela qual «a tendência de crescimento se deverá manter». De resto, e face a outros países da UE, «Portugal ainda tem bastante caminho a percorrer ao nível da implementação dos ERP nas suas empresas». Por outro lado, empresas que já possuam um ERP, «necessitam que este acompanhe, permanentemente, a evolução da gestão da própria organização».
É também de evolução que fala João Paulo Monteiro, o director comercial da PHC Sul, para quem «os gestores dão cada vez mais importância a este tipo de soluções, sobretudo devido ao controlo que lhes oferecem face aos trabalhadores e à própria empresa». E, embora a economia nacional «não tivesse passado pelos melhores anos», a verdade é que «o mercado tem vindo a evoluir, nomeadamente ao nível das grandes empresas». Mesmo assim, João Paulo Monteiro acredita que «ainda existe espaço para o mercado crescer mais».
Uma realidade compreendida igualmente pela IBS Ibéria. A marketing manager desta companhia, Carla Ribeiro, lembra que «continuam a existir alguns projectos significativos, apesar da contenção de investimentos verificada nos últimos anos por parte do tecido empresarial». Esta responsável defende que «existe uma perspectiva de evolução positiva nos mercados europeus», sendo bastante provável que o próprio mercado nacional venha a «acompanhar essa mesma tendência, mantendo um foco claro no ROI desses projectos».
Um olhar pelas PME
Já a SAP prefere pegar no segmento das PME, aquele que para a multinacional alemã mais tem crescido. Diz Luís Urmal Carrasqueira, director de negócio para as PME, que o investimento «tem vindo a aumentar face ao das empresas de grandes dimensões». E este responsável deixa alguns dados de um estudo realizado pela Datamonitor segundo o qual, se estima que, até 2008, 50 por cento dos investimentos em ERP provenham de empresas com menos de 1000 empregados.
Do lado da Rigor – P, esta tendência de crescimento explica-se, segundo Pedro Silva Gordo, director comercial da companhia, muito devido ao facto de as companhias portuguesas terem estado «estranguladas pela centralização do poder de decisão na gestão de topo e pela falta de investimento em tecnologias de informação». Actualmente assiste-se «a uma mudança importante de mentalidades e hoje os sistemas de informação, e em particular os ERP, são encarados como factores críticos de sucesso». Este responsável acredita que «as necessidades crescentes de informação e a globalização vão cada vez mais reforçar o importante papel das TI».
Cristóvão Martins, director da unidade de Grandes Empresas e Administração Pública da Primavera Software, refere que o mercado português se encontra «numa fase em que a digitalização das transacções comerciais, assente em relações de colaboração e de negócio através de portais empresariais, perspectiva a génese de uma nova fase de informatização das empresas». Assim sendo, no mercado de ERP em Portugal nada «é muito diferente do que está a acontecer fora do território nacional».
O potencial português ao nível dos ERP mede-se, na entender de Miguel Paz, da direcção comercial da ServiSIS, tendo em conta o facto de «a maioria das empresas nacionais ainda não ter investido verdadeiramente em software de gestão» mas antes em ferramentas «de contabilidade e facturação». Uma situação suportada também pelo facto de «a grande maioria das empresas ainda ver como um luxo a implementação de um ERP na sua organização».
Segundo Miguel Paz, acredita-se que «os ERP actuais, presentes no mercado português, sobretudo os internacionais, são demasiado exigentes em esforço financeiro, conhecimentos de gestão e esforço de implementação». Uma tendência que poderá ser invertida com o surgimento de novas empresas, que se tem vindo a verificar, e que «para se tornarem ultracompetitivas e rentáveis necessitam de industrializar a sua gestão».
Um salto a considerar
«Pouco evoluído». É desta forma que Armando Fernandes vê o mercado português ao nível dos ERP. De acordo com o gestor de contas da gedas Portugal, «existem ainda muitas aplicações informáticas a trabalharem de forma desintegrada, com interfaces manuais, bastante redundantes e de fraco retorno do investimento». Talvez por isso, a aposta num ERP possa ser «o grande salto para uma melhoria da gestão».
Já o responsável da área de assistência a clientes e sócio-gerente da Westix – Tecnologias de Informação, Rui Sousa, acredita que na vertente da oferta em Portugal «reina alguma confusão, com muitas software-houses a designar os seus produtos de ERP, quando não passam de softwares de gestão integrada pouco permeáveis à integração com soluções complementares». As empresas de consultoria, por seu turno, «mostram insegurança» na proposta de soluções ERP que tirem partido das tecnologias híbridas e open source, «sugerindo, regra geral, soluções muito onerosas», defende ainda Rui Sousa.
Na vertente da procura, as companhias «retraem-se perante os elevados custos de aquisição e manutenção das soluções tradicionalmente oferecidas, optando muitas vezes por protelar a actualização dos seus sistemas».
De resto, o futuro em termos do mercado de ERPs deverá pautar-se ainda «por uma crescente automatização dos processos de negócio contribuindo para esse efeito a evolução tecnológica que a todos os níveis se tem vindo a verificar», acredita Jorge Santos Carneiro, administrador delegado da Sage Portugal. O futuro é também «auspicioso» na opinião do business group manager da Microsoft Business Solutions, Francisco Ramos Chaves. A verdade é que «as empresas têm de melhorar continuamente a sua gestão», até porque «o que era adequado há cinco anos já não o é hoje, e daqui a cinco anos não se sabe como vai ser».
Por seu turno, o director-geral da Logiciel, Rui Beirão, defende que «a entrada da Microsoft no segmento dos ERP alterou o mercado». Uma situação que se justifica, «quer pela adaptabilidade da solução, quer pelas perspectivas que abre como plataforma de desenvolvimento». Assim sendo, este responsável perspectiva que, a médio prazo, deverão «aumentar as ofertas de novas soluções para a plataforma Microsoft Business Solutions Navison».
in Semana Informática