Qualidade certificada
A Alidata é já uma empresa de referência na área da informática a nível nacional. Com software próprio e com soluções à medida dos seus clientes, esta empresa é um caso de sucesso. «O Primeiro de Janeiro» foi falar com Jaime Gomes, gerente da Alidata, na tentativa de descobrir os pilares sobre os quais assenta o êxito desta software house.
Esta é uma empresa já muito antiga, com mais de duas décadas, o que representa já um longo caminho percorrido para uma empresa de informática. Como nasceu esta empresa?
A Alidata tem 21 anos de existência e nasceu como quase todas as empresas. Nasceu da vontade de alguém que quer fazer alguma coisa de diferente. Essa pessoa trabalhou durante alguns anos na RIMA, no Porto, e de alguma forma já estava ligada a esta área de negócio. Quando esta empresa nasceu, a sua primeira plataforma de negócio foi a venda de máquinas de escritório, isto num tempo em que pouco se ouvia falar da existência dos computadores. Curiosamente, passado pouco tempo, começam a aparecer os primeiros computadores no mercado nacional e a Alidata começa então a comercializar também computadores da marca NEC. As parcerias foram-se desenvolvendo, assim como a tecnologia e a empresa foi crescendo na mesma medida. Conservamos ainda uma parceria desse tempo com a UNISYS, mas tudo na área das máquinas. Insatisfeitos apenas com a componente da comercialização, depois de um ano ou dois de existência começámos a desenvolver o nosso próprio software. Fruto dessa evolução natural, quer da empresa, quer do nosso próprio produto, passámos a comercializar apenas soluções nossas. O nosso software começou por ser feito em formato DOS e vendido apenas para o nosso mercado mais próximo, até que, devido ao nosso crescimento, atingimos uma respeitável quota de mercado. Enquanto que em Lisboa ou no Porto as soluções informáticas se multiplicam, aqui em Leiria sempre houve uma grande concorrência directa dentro desta área, o que também acabou por ser vantajoso já que dificultava a entrada de soluções externas à região. Hoje, as coisas estão diferentes, resultado da evolução dos softwares. Actualmente, concorremos com qualquer uma das softwares houses do mercado, nacional ou internacional.
Que tipo de soluções propõe aos clientes?
Possuímos diversos softwares vocacionados para a área da indústria e, dificilmente, qualquer outra empresa nos consegue suplantar. Temos soluções generalistas que se adaptam a quase todas as áreas. As nossas soluções mais específicas estão vocacionadas para a indústria dos plásticos, mobiliário, cerâmica, cimento e metalomecânica. Um outro sector que para nós é importante é o ramo automóvel. Possuímos como clientes inúmeras oficinas e outro tipo de serviços certificados que lidam directamente com este sector. Existem casos em que a empresa, apesar de ser obrigada a trabalhar com o sistema proposto pela marca automóvel, prefere investir também no nosso sistema, acabando por trabalhar com os dois, já que viram mais-valias que não encontraram na aplicação que foram obrigados a comprar. A Alidata tem um leque de produtos que a nossa concorrência não consegue ter. É óbvio que esta evolução não se fez de um dia para o outro. Estas novas aplicações informáticas começaram a desenvolver-se há cerca de oito ou nove anos quando conseguimos ganhar um grande projecto aqui no nosso distrito. Estes projectos dão sempre um gozo especial ganhar. Hoje em dia na área da informática, como já vem sendo hábito, tudo se faz e se consegue, o que leva a alguma desacreditação no sector por parte do cliente final. Toda a gente promete tudo e mais alguma coisa e depois da solução aplicada e sem assistência pós-venda, as coisas acabam por não ter o desfecho que o cliente mais desejava. Este tipo de situações faz com que os clientes passem a ver de forma negativa todos os profissionais desta área. Há que reconhecer que não somos todos iguais. A próxima pessoa que tente vender uma solução informática a um cliente que está descontente com a solução anteriormente adquirida, terá muito mais dificuldades para vender.
Que explicações encontra para que esta situação se verifique?
Penso que tem muito a ver com o facto desta ser uma área recente, vocacionada para gente jovem, não descurando o facto que este é um tipo de negócio relativamente fácil de abrir. Bastam quase quatro paredes de uma garagem para que se possa abrir uma empresa de informática. O maior culpado disto tudo é quem nos governa e gere. Se uma pessoa quiser tirar a carta de condução tem que fazer os exames de admissão, assim como qualquer outro tipo de licenças, mas se uma pessoa quer abrir uma empresa, não tem que dar provas de nada a ninguém. Mesmo “o maior vigarista de todos os tempos” pode abrir uma empresa e tem direito a livro de cheques e tudo mais lhe é entregue em mãos. Na área da informática deveria existir um organismo regulador que determinasse se uma pessoa que pretende abrir uma empresa, tem ou não condições para o fazer. Não podemos esquecer que está em jogo também a imagem e sobrevivência das outras empresas. Aqui no distrito existem constantemente empresas de informática que abrem e fecham, deixando sem qualquer tipo de apoio os seus clientes. Claro que todos têm o direito de abrir a sua própria empresa, mas sempre com determinados parâmetros de garantia assegurados. Muitas vezes somos chamados a entrar em negócios nos quais o cliente já não pode nem sequer ouvir falar em informáticos. Quando se vai à luta só com promessas, não podemos dizer que esta será uma batalha justa. Muitas vezes nem sequer está em causa a qualidade dos softwares que a empresa concorrente está a apresentar, a dúvida reside na capacidade de depois os conseguirem implementar.
Onde se localiza a maior parte dos clientes da empresa?
Como as nossas soluções são múltiplas, também a localização dos nossos clientes o é. O facto de possuirmos soluções para a indústria de mobiliário, por exemplo, faz com que tenhamos mais clientes na zona Norte do País que trabalham nesta área de negócio. Como somos os fabricantes do nosso software conseguimos fornecer aos nossos clientes soluções à medida das necessidades de cada um deles. A solução geral existe, resta depois adaptá-la àquilo que o nosso cliente quer fazer com ela, potencializando as áreas para as quais o cliente mais necessita. A nossa equipa de dez programadores está a trabalhar constantemente no desenvolvimento das soluções, o que nos permite fazer sempre os ajustes necessários e desenvolver bases específicas para todos aqueles que nos procuram. Se fosse comportável conseguíamos que todos os dias saíssem novas versões dos nossos produtos, uma vez que diariamente eles são melhorados. É intrigante como perante milhares de funcionalidades que possuímos, ainda nos conseguem surpreender e perguntar por algo para o qual ainda não temos resposta, o que nos leva quase sempre a pensar como é que foi possível não termos pensado nisso antes. Quando isto acontece ficamos com uma sensação de vazio, de que houve alguma coisa que nos escapou. Em cada negócio novo há sempre algo que se aprende e que vem completar os mais de 20 anos de know-how adquirido. Esta é uma empresa que lida directamente com o cliente e que tem a sensibilidade de atender às dificuldades que possam surgir. As aplicações são feitas com base na realidade e não com ideias extraídas a partir daquilo que nós, que não trabalhamos nesse sector, podemos pensar que seja o melhor. Quando temos dúvidas em relação a algum novo produto ou funcionalidade consultamos vários clientes.
Neste tipo de soluções, a formação que depois é dada aos trabalhadores da empresa onde a aplicação é adaptada acaba por ser sempre necessária e funciona também como uma mais-valia?
A maior parte dos nossos clientes ao comprar-nos o software, adquire também o hardware. Nós oferecemos a chamada solução “chave na mão”. Desde as cablagens, servidores, estações de trabalho, impressoras e todo o tipo de hardware e software, o cliente não precisa de procurar outro fornecedor de informática. Uma das nossas mais preciosas filosofias sempre foi só comercializarmos aquilo que conseguimos dar manutenção. Aqui, na Alidata, temos um centro de reparações e conseguimos consertar tudo, até mesmo aquilo que não vendemos. Os clientes que nos compram todo o material têm assim a certeza que ficam dependentes apenas de uma única empresa para todas as questões de reparação e software. A Alidata também tem uma marca própria para PCs e servidores e claro que temos sempre preferência pela venda do nosso próprio material. Somos uma empresa certificada e todos os nossos produtos são testados e certificados antes de entregues ao cliente. Temos capacidade para fazer toda a manutenção em casa do cliente. Nós queremos estar no mercado de uma forma séria.
Quais os principais objectivos a curto-prazo?
Estes projectos já começaram há uns meses atrás e têm a ver com a revenda do nosso software. Temos já cerca de meia centena de revendedores a trabalhar em parceria connosco, a vender os nossos produtos, angariados sem grandes investimentos, aproveitando apenas alguns contactos que já tínhamos. Sempre tivemos por hábito crescer muito devagarinho, solidamente. No entanto, as pessoas que se desenganem. São muito poucas as pessoas que conseguem enriquecer à custa da informática, na maior parte dos casos, esta área de negócio dá apenas para sobreviver. Com efeito, quem tem grandes picos de negócio, tem, depois, grandes quedas. No nosso caso, continuamos a crescer sim, mas sempre de forma muito moderada. Até mesmo nesta altura da falada crise, conseguimos manter-nos estáveis e ela tem nos vindo a passar ao lado.
Quais serão as principais apostas para o futuro?
As principais apostas da Alidata serão a componente Web para a qual já temos algumas soluções. Ou seja, numa outra plataforma, pretendemos que cada cliente possa desenhar a sua aplicação na Web, podendo agrupar/cruzar dados vindos da Gestão Comercial, da Financeira, da Contabilidade, da Produção e/ou Obras.
O grande objectivo é conseguir rentabilizar ainda mais aquilo que já está feito.
Possuímos duas gamas de produtos, uma ERP, desenhada à medida de cada cliente e outra standard, em package, lançada exclusivamente para o canal de revenda.
Pretendemos angariar agentes que reúnam uma série de características e capacidades, para que possamos passar o nosso conhecimento para a comercialização e implementação do nosso software ERP. Só tendo a certeza que o nosso agente está capacitado a fornecer a mesma qualidade que nós no serviço de implementação e pós-venda, temos a garantia de qualidade e certezas quanto ao futuro.
in O Primeiro de Janeiro