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04 março 05

Há novas oportunidades no ERP

As ferramentas de ERP estão a atingir a maturidade à medida que os fabricantes criam massa crítica de clientes e aumentam as receitas provenientes da manutenção

Em 2005, o mercado de ERP (Entreprise Resource Planning) ficará marcado pelo aumento das receitas provenientes dos contratos de manutenção, o que abre portas para novas e inúmeras oportunidades. Já a venda de licenças terá tendência para estabilizar. A análise vem do Gartner/Dataquest, mas parece adequar-se ao que se passa também em Portugal.
Segundo a SAP Portugal, as organizações estão a preparar-se para um novo ciclo de crescimento, através da redução ou da eliminação do fosso existente entre a estratégia e a execução.

Os investimentos em ERP e tecnologias da informação estão a ser vistos como os meios que permitirão melhorias na velocidade de reacção e execução da estratégia perante novas oportunidades de negócio, assim como no aumento do nível de satisfação do cliente final. Isto significa que chegou a altura de mostrar resultados nas implementações, mais do que investir na tecnologia pela tecnologia.

Os investimentos que se prevêem para 2005 passam também pela necessidade de evolução com que se deparam muitas das organizações que já dispõem de um ERP instalado. O chamado ERP II (onde o enfoque na relação pessoas/processos/tecnologia é um pilar base) será uma realidade. «A forte pressão para que as funcionalidades extra passem a estar integradas no core da solução justificará a evolução» acredita Mariana Ferreira, responsável de Marketing da Softi9. «Muitas empresas terão de fazer um esforço de investimento em soluções de informática que dinamizem a sua gestão», garante Rui Beirão, director-geral da Logiciel. Por isso, acrescenta, «estamos convencidos de que a procura por soluções ERP deverá crescer durante 2005».

Por seu turno, Cyril Guilloret, da JDSoft, considera que «cada vez mais os gestores reconhecem a necessidade de ter à mão as ferramentas de gestão que lhes permitam controlar o dia-a-dia dos seus negócios». Para quem oferece uma solução deste tipo, que permita obter um retorno rápido sobre o investimento efectuado, «o ano de 2005 será muito positivo», acrescenta.

Contudo, estas necessidades não se resumem ao ERP tradicional, mas a soluções mais abrangentes que passam, por exemplo, pela eficaz integração de sistemas. «O crescimento estará concentrado nas áreas que agreguem valor às soluções instaladas, de onde se destacarão as vertentes de integração, Web Services/Internet/Shared Services, Portais e Gestão do Conhecimento, Business Intelligence, SCM e CRM», diz o porta-voz da IBS. O que resulta, acrescenta ainda Cristovão Martins, director da unidade de grandes empresas da Primavera Software, «na necessidade de produtos totalmente integrados, preferencialmente de uma só marca». Anteriormente, as empresas utilizavam aplicações de diferentes fornecedores, sendo quase impossível a total integração da informação.

Nem tudo são rosas
O panorama político-económico em Portugal é, para algumas das empresas a actuar neste mercado, um factor destabilizador. Ricardo Parreira, director-geral da PHC, ainda vê as empresas muito retraídas no que toca a investimentos em ERP. «A tendência é para que as aquisições de projectos ERP aumente gradualmente com o passar dos anos, mas 2005 ainda será muito semelhante a 2004». Ou seja, «há muita expectativa a travar os investimento». Antero Gama, director-geral da Eticadata, tem uma opinião semelhante. «Há uma procura reprimida, uma vez que muitas empresas estão à espera da recuperação da economia para que possam ter fundos para dar seguimento aos seus planos».

Existe também, em Portugal, uma enorme competitividade que nem sempre é positiva, diz Carlos Lopes, da Infos. «Os grandes construtores criam pacotes para o middle market, tentando ganhar quota de mercado, enquanto os pequenos construtores fazem um esforço enorme por apresentar produtos para o mesmo mercado, além dos players que já operavam neste mercado e dele detêm um maior conhecimento». Isto significa um inundar de produtos diferentes para a mesma área do mercado onde, a breve prazo, ninguém vai lucrar. «Nem mesmo os clientes», admite Carlos Lopes.

Na mesma linha de opinião, Jorge Santos Carneiro, administrador-delegado da Sage Portugal, afirma ser «expectável que, em 2005, cada vez mais, se note a presença das empresas multinacionais e que haja uma maior clarificação do nosso mercado em relação a empresas de pequena dimensão» E acrescenta: «Estamos a assistir a uma depuração de mercado que irá tornar-se mais relevante em 2005».

*À procura da optimização*
A consolidação de que se fala no mercado de ERP não passa apenas pela concentração ao nível dos players. Ela passa, sobretudo, pela estabilização de projectos e pela sua adaptação a novas práticas de negócio. De acordo com a Cap Gemini, a manutenção dos volumes de facturação das empresas será conseguida, essencialmente, através de um incremento da facturação em serviços. «O número de novas implementações é pouco expressivo face ao volume de negócios proporcionado pelo trabalho recorrente em clientes com soluções em funcionamento”, salienta Paulo Saldanha Santos, principal da Cap Gemini.

O tecido empresarial também está cada vez mais maduro e não vai investir por investir. «Investe se houver garantias de retorno», garante Carlos Lopes, da Infos. Isto significa, na opinião daquele responsável, que a oferta terá que ser cada vez mais especializada e experiente nas diferentes actividades. «O cliente não espera apenas um ERP, espera uma ligação de longo prazo baseada no conhecimento, na experiência e, sobretudo, nas vantagens competitivas que lhe vai trazer».

É também para dar resposta a estas necessidades que as empresas desenvolvem constantemente novas funcionalidades e processos de negócio que enriquecem as suas aplicações. Em cada caso, a evolução tecnológica tenta cumprir com parâmetros e requisitos exigidos pelos clientes mas, em geral, a tendência do mercado vai para a criação de «novas arquitecturas de software que permitam uma maior utilização em articulação com a Web», garante Paulo Saldanha Santos.

Na Escripóvoa, por exemplo, uma das mais recentes evoluções tecnológicas passou pela sincronização de dados entre filiais, feita em modo dedicado, usando linhas cabo ou ADSL e o terminal services do Windows, ou baseada em sincronizações sobre um servidor FTP. «A robustez da solução baseada em redundância de erros permite, em caso de falha do servidor, que os terminais iniciem automaticamente um modo stand alone de funcionamento e a ligação a dispositivos de aquisição de dados, nomeadamente terminais moveis, PDA ou dispositivos com Windows Tablet PC», explica Antero Gama.

A evolução para tecnologias mais avançadas na área das interfaces e algoritmos, bem como tudo o que diz respeito à mobilidade, foi a opção da Softi9. «A vertente da Gestão da Produção (optimização, controlo e acompanhamento) também foi alvo de um forte investimento que, agora, se traduz em produtos inovadores, inclusivamente a nível europeu”, explica Mariana Ferreira.

«Um dos objectivos que continuamos a perseguir é o da “webização” ou digitalização das empresas, por acreditarmos que é um conceito essencial à competitividade», afirma Cristovão Martins, da Primavera Software. E acrescenta: «Acreditamos que a total liberdade de acesso e a partilha de informação entre diversas entidades são condições essenciais de eficácia para a gestão das empresas, sendo a Internet o melhor meio para a proporcionar.»

Cenários colaborativos
Na SAP, e relativamente a processos de negócio, para além de novas funcionalidades nas áreas já existentes, as principais inovações são a «inclusão de cenários self-service, a integração das ferramentas de exploração analítica para todo o espectro aplicacional, a disponibilização de cenários colaborativos e de mobilidade em várias vertentes funcionais, e capacidades acrescidas para a criação de processos de negócio diferenciadores para os nossos clientes, potenciados pelo SAP NetWeaver» explica Joaquim Santos.

Na Infos, ao nível tecnológico «estivemos e estamos envolvidos num processo de redesenho da base de dados para melhor respondermos a novos desafios que o mercado coloca a alguns dos nossos clientes», diz Carlos Lopes. Para tal, a empresa redesenhou a sua base de dados por forma a permitir os novos processos de negócio inerentes à Gestão da Distribuição, Logística e Ponto de Venda, de forma integrada e independente de processos de comunicação.

As aplicações de negócio continuam a ser vitais para as empresas de todas as áreas e dimensões. Muitos utilizadores definem o termo “aplicações de negócio” como o ERP e ainda pensam que é um sistema ligado apenas ao back-office. Para outros, as aplicações de negócio representam ferramentas inovadoras usadas para transformar e optimizar os processos de negócio com os parceiros e clientes. Outros ainda, consideram estas aplicações como uma perda de tempo e dinheiro que só lhes traz dores de cabeça.

As aplicações de negócio podem ser tudo isto. As tendências actuais demonstram que as aplicações de back-office estão a sair das quatro paredes das organizações para oferecer capacidades inovadoras. Mas, devido a complexos factores de implementação, estas aplicações ainda continuam a ser um desafio para satisfazer as necessidades dos utilizadores.

O mercado das aplicações de negócio continua a estar em polvorosa. Esta agitação deve-se à crescente consolidação, aos padrões de compra ainda muito orientados por valores e a uma economia em recuperação por toda a Europa. Os fabricantes lutam pela venda de novas licenças, enquanto reduzem postos de trabalho e investimentos em I&D. Contudo, nem todos os problemas estão relacionados com a economia. Uma recuperação económica não trará agora os desafios do louco ano 2000, mas trará um período de expansão lento mas satisfatório.

Tendências na Europa
O ano de 2004 foi de recuperação para os fabricantes de software de gestão em geral, por toda a Europa. A SAP continua a liderar um mercado avaliado, pela IDC (International Data Corporation), em 6,7 mil milhões de euros. A Oracle e a Peoplesoft aparecem em segundo e terceiro lugares (agora são um só), seguidas do grupo Sage e da Microsoft Business Solutions.

De acordo com as previsões da IDC para a Europa Ocidental, o percurso de cada uma destas empresas será marcado por diferentes factores durante o ano de 2005: – A SAP manterá a sua posição de liderança com a ajuda da situação actual do mercado, visão de produto, alinhamento da indústria, rede de parceiros, e focus na gestão. O custo continua a ser o seu calcanhar de Aquiles.

– A Oracle e a Peoplesoft não estão bem posicionadas para ganhar quota de mercado no futuro próximo, devido à necessidade de realinhar a sua oferta conjunta. A competitividade da Oracle está limitada pela sua dependência da tecnologia, o que desvia a atenção das aplicações de negócio. A Peoplesoft está limitada pela sua rede de parceiros e por uma estratégia de implementação de serviços muito directa. – Outros fabricantes, como o Grupo Sage e a Microsoft Business Solutions, focadas no segmento SMB (Small and Medium Business), dispõem de redes de parceiros extensas e estão bem posicionados para ganhar quota de mercado.

in Semana Informática