Jaime Gomes e Hugo Faustino, equipa Alidata: Vice-reis do trial
Um trabalha em informática, outro com mobiliário de escritório. Formaram equipa numa loja de pneus e brilham a passar obstáculos. Em 2004 defenderam as cores da Alidata e falharm por muito pouco a conquista de Troféus Nacional de trial 4×4, na classe C, para protótipos.
Jaime Gomes é o piloto. Começou nos passeios de todo-o-terreno há três anos por razões de saúde, depois de um esgotamento que o obrigou a encontrar um escape para o stress. Omédico intimou-o a fazer desporto e, vai ndaí, comprou um jipe. O doutor não gostou da opção mas foi a saída para gastar, com sucesso, as forças acumuladas durante a semana.
Hugo Faustino iniciou-se no todo-o-terreno há dois anos. Também se meteu nos passeios, mas queria algo mais. Quando Jaime Gomes o encontrou na loja de pneus e disse que precisava de um navegador para o troféu de trial, prontificou-se de imediato.
À partida, a participação no Troféu Nacional de 2004 não tinha ambições levadas. Mas os resultados foram aparecendo para a Aldata e foi impossível não subir a fasquia. A ponto de começarem a acreditar que era possível vencer o troféu. “O início nem nos correu muito bem”, lembra jaime Gomes. A inexperiência levou-nos a ceder doius primeiros lugares na secretaria. “Ou conhecemos os meandros para bater o pé à organização ou somos prejudicados”. A dupla de Leiria depressa aprendeu. A tempo de não deixar fugir dois priomeiros lugares, dois segundos e três terceiros.
“Chegámos a estar à frente do campeonato. Só não ganhámos porque havia uma pressão muito grande e porque virámos o carro na última prova. Só dependia de nós, mas o deporto é mesmo assim”, recorda o piloto que não deixa de estar “surpreendido com tudo o que fizémos”.
Na prova decisiva, a equipa chegou a pensar que estava tudo perdiso. “Baixámos os braços e foi um erro”. Agora já sabem que “é como no futebol: tem que se lutar até ao último minuto”.
“Não fosse isso tínhamos ganho”, garante Jaime Gomes. Em 2005, a equipa vai procurar continuar a disputar o título. Mesmo com a concorrência a apetrechar-se e novos pilotos a aparecer, jaime Gomes e Hugo Faustino confiam no seu Toyota, que eles próprios, sem verba para oficinas, preparam para cada prova. “Nenhum de nós é mecânico, mas por vezes dá-nos mais gozo preparar o carro do que estar na prova. Gostamos de desmontar, ver, preparar, limpar, ter tudo que nem um brinquinho. Prova a prova vamos melhorando o carro. Ninguém o conhece como nós”, diz Jaime Gomes.
Em prova, a dupla aborda as dificuldades de forma analítica. “Analisamos cada pista e obstáculo, trocamos rodas, voltamos a pôr outras… É um esforço acrecido, mas dá resultado”, desvenda Jaime Gomes.
Já o navegador fala do aliciante que é a abordagem de cada desafio que a pista põe aos participantes. “É preciso usar a cabeça para passar obstáculos. A navegação é diferente do habitual, feita do exterior, para dar indicações ao piloto ou trabalhar com os acessórios”. Muitas vezes dentro da lama ou de água e, até, debaixo do carro.
O Troféu Nacional de trial, apesar de mais acessível que as provas de resisência, ainda assim, “é um desporto caro”. Jaime Gomes estima em 50 mil euros o investimento no carro, e “em cada prova é preciso investir mais”. Em Fevereiro arranca na Figueira da Foz o Troféu de 2005.
in Revista RL, Região de Leiria