Alidata Suporte
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10 outubro 03

Negócios além-fronteiras atrai empresas

Entrar em novos países é uma aspiração da maioria das empresas nacionais, embora nem todas a consigam concretizar, devido à sua dimensão ou às dificuldades que lhe surgem pelo caminho.
Para a Alidata, a internacionalização é um objectivo a realizar a curto/médio prazo, uma vez que dois dos produtos que integram o Sistema de Informação Avançado (SIA), nomeadamente o Controlo de Produção e a Supervisão Geral, são compatíveis, em termos de processos e de software, e «não exigirão demasiados ajustes, pois a sua configuração e a sua implementação são de tal forma objectivas que um parceiro, com uma formação inicial, poderá implementar soluções de produção», explicou a gestora de produto da software house, Alexandra Elias.
A Alidata informou o Semana ter já iniciado contactos com duas empresas instaladas no Brasil para a comercialização do SIA CPA para a indústria mobiliária. Estabelecido este contacto, Alexandra Elias garantiu que o México «será também um mercado interessante».

A APR – Sistemas Informáticos encara a internacionalização como «uma grande oportunidade» de desenvolvimento da sua actividade. Com o objectivo de avançar para outros mercados, a software house preparou o seu ERP Gin para esse desafio. O multi-idioma e a utilização de múltiplas divisas foram algumas das funcionalidades incluídas no produto aquando da sua concepção.

O sales e marketing manager da empresa, Ernesto Morais, explicou que o primeiro passo para a internacionalização já foi dado. Este ano, a APR concretizou um «importante negócio» além-fronteiras com uma multinacional, com presença em diversos países europeus e da América Latina. «A nossa solução foi seleccionada entre muitas outras, com destaque para as das grandes multinacionais, o que é para nós um grande orgulho e motivo de satisfação redobrada, pois dá-nos confiança para novos desafios», acrescentou.

Dificuldades de adaptação dos produtos
Ainda muito concentrada no mercado nacional, a Lusodata apontou a sua dimensão como factor inibidor de uma incursão por outras paragens.
Perante o problema da falta de dimensão suficiente para suportar uma aventura além-fronteiras, o director de desenvolvimento da ACE, Mário Romão, defende que o modelo ideal para a internacionalização deverá ser «debaixo da umbrella de grandes players nacionais já instalados nos mercados externos». Na sua opinião, este processo deve ser conduzido «de forma concertada, envolvendo iniciativas governamentais, que fomentem modelos de parceria e de cooperação das nossas empresas no exterior».

Embora reconheça que a internacionalização «é um passo muito importante para as empresas nacionais», a directora de marketing da CentralGest, Patrícia Machado, compreende este posicionamento e considera que o investimento noutros mercados «ainda não é um objectivo a médio prazo das empresas nacionais de software, uma vez que o nosso mercado ainda requer muita atenção».

O administrador da T.I. Tecnologia Informática, Feliz Grangeiro, aponta outras razões para que a entrada noutros mercados nem sempre seja facilmente concretizada pelas empresas portuguesas. Embora uma internacionalização para alguns PALOP e para algumas vilas fronteiriças de Espanha seja «teoricamente possível», qualquer PME portuguesa «sabe bem as dificuldades que tem em produzir ou contratar quadros capazes de gerir a marca, divulgar o produto e criar uma rede de distribuição em qualquer outro país».

De acordo com este gestor, fora dos PALOP a imagem da marca Portugal «também não ajuda nada». Granjeiro apontou como exemplo uma situação real de uma empresa de software nacional que viu o seu sofware «rebaptizado como “echo en España”» por um distribuidor local para que este pudesse vender algumas unidades do produto.

«O alinhamento internacional das consultoras» é igualmente considerado por este responsável como um entrave a qualquer internacionalização, pelo menos «enquanto estas mantiverem uma posição de lideres de opinião».
Por outro lado, Mário Romão afirma que as empresas nacionais, regra geral, «desconhecem as apetências, as tendências e as oportunidades dos mercados externos, bem como os canais de distribuição e os modelos adequados de parcerias». Uma vez instaladas noutros mercados, «sucumbem perante os primeiros reveses, dando mostras de não estarem preparadas para um esforço continuado de intervenção», acrescentou.

Players facturam noutros mercados
O problema da dimensão também é referido por Romão. Segundo ele, «dificilmente as pequenas software houses terão alguma hipótese de se imporem no mercado externo se o fizerem de forma isolada, sem bons parceiros locais, e sem terem alguma “âncora” num bom cliente (de preferência nacional, fidelizado)».

Uma outra dificuldade, muitas vezes fatal, resulta do habitual posicionamento incorrecto da oferta. A software house nacional «deveria apostar numa oferta especializada, de elevado padrão de qualidade, quiçá de nicho, e encontrar, para essa oferta de produtos e serviços o posicionamento na fileira mais adequado, evitando fazer “mais do mesmo”», disse-nos o director de desenvolvimento da ACE.

Mesmo assim, algumas empresas já deram o salto. Com estratégias de internacionalização concretizadas existem players nacionais que facturam noutros mercados e vêem os seus produtos reconhecidos. A CentralGest está presente em Angola e Moçambique, presenças que quer complementar com a realização de negócios em mercados similares.
A Primavera Software já dá cartas em vários países dos PALOP, nomeadamente em Angola, Moçambique e Cabo Verde, mercados em que o administrador da empresa, José Dionísio, quer continuar a investir.
Relativamente à possibilidade de marcar presença em novos países, a Primavera admite que esse objectivo poderá ser concretizado brevemente, já que a nova plataforma .Net ePrimavera «foi pensada e desenvolvida para o mercado internacional».

A consolidar a sua presença em Angola, Moçambique e Cabo Verde, a Eticadata espera «continuar a crescer a um ritmo sustentado durante os próximos anos, alargando a gama de produtos e a sua área de actuação», referiu o director da empresa, Antero Gama.

Tirando partido da presença externa da “casa-mãe” (EDP) noutros mercados, a ACE comercializa as suas soluções além-fronteiras. No entanto, Mário Romão avançou que o risco e os sinais desses mercados é monitorizado «permanentemente e com acuidade».

PALOP agradam aos investidores
Os mercados eleitos pelas empresas nacionais são, sem dúvida, os africanos de língua oficial portuguesa. Esta opção deve-se fundamentalmente ao facto de existirem algumas vantagens significativas no campo da adaptação de produtos, já que não é necessário adaptar o software a outra língua, os sistemas têm uma especificidade legislativa e fiscal muito próxima da portuguesa, tratando-se ainda de mercados que só agora atingiram alguma estabilidade e que, de certa forma, começam a assistir à implantação de empresas com alguma estrutura que necessitam de soluções tecnológicas. Outro aspecto importante é o facto de, na maior parte dos casos, não existirem nesses países companhias de software, uma vez que a situação política e económica nunca se apresentou favorável ao fomento dessa actividade.

Os mercados espanhol e brasileiro são outros destinos apontados pelas empresas nacionais, um por causa da proximidade e o outro devido à sua dimensão. Para a T.I., o mercado europeu também deve ser considerado.
Por cá, quando se fala de negócio os mercados de Lisboa e do Porto evidenciam-se naturalmente. A sua dimensão e a concentração empresarial são elementos chave para que as software houses se estabeleçam nestes pólos estratégicos, embora muitas vezes tenham origem noutras zonas do País.
A gestora de produto da Alidata referiu ao Semana a importância de os decisores terem a consciência de que o facto de um fornecedor de soluções se encontrar fora destes pólos estratégicos «não significa que os seus produtos não tenham qualidade».

A suposta bipolaridade portuguesa não invalida igualmente que existam oportunidades noutros centros de negócio, mas o facto de as mesmas serem em menor número pode afastar os fornecedores, que preferem abordá-las través de parceiros locais.

«O resto do País não é paisagem e existe um potencial enorme espalhado pelo nosso território, ilhas incluídas, ao qual devemos dar atenção», advertiu a directora de marketing da CentralGest, Patrícia Machado.
Há quem considere, porém, que as cidades mais lucrativas não sejam Lisboa e o Porto, mas sim as outras regiões do litoral e do interior.

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